
A palavra árabe Sunat significa ‘um caminho’, e logo, sunat do profeta significa os caminhos do profeta, ou aquilo que é normalmente conhecido como Tradições do Profeta. Terminologicamente, a palavra “Suna” significa também os feitos, dizeres e aprovações do Profeta Muhammad (saw) durante os seus 23 anos de profeta, e isto significa que tudo o que ele disse, fez ou aprovou durante o seu tempo como profeta e mensageiro de Allah é considerado uma suna, e os muçulmanos têm de seguir e praticar as suas tradições. Os registros validados (a "hadith") desse "caminho", constituem um exemplo moral para os muçulmanos.
Suna, deste modo, é a segunda fonte da lei islâmica após o sagrado Alcorão. O sagrado Alcorão, que é a palavra de Allah incorporada no livro chamado “Mus-haf”, e a Suna incorporada em muitos livros, os mais importantes sendo: Sahih Bukhari, Sahih Muslim, Sunan An-Nasai, Sunan Attirmidhi, Sunan Ibn Majah, e Sunan Abu Daud, que perfazem um corpo de lei islâmica e directivas divinas para muçulmanos em todo o mundo.
A Suna, ao contrário da Hadith, é o caminho ou feitos do Nobre Profeta Muhammad (saw) durante o seu período de profecia enquanto que a Hadith é uma colecção de suas narrações e aprovações durante o mesmo período.
As duas palavras são praticamente equivalentes quando se referindo às tradições do Profeta, mas na verdade existe uma diferença entre as duas. Hadiths são classificadas quanto ao seu estatuto, em relação aos seus textos e à sua cadeia de transmissores. Académicos de Hadiths estudaram a Suna do profeta desde o seu contexto bem como os seus transmissores por forma a estabelecer o que é verdade e o que é falso nestes hadiths.
Através da pesquisa do transmissores da Hadith, académicos da Hadith chegaram a um sistema para saber as diferentes categorias da Hadith, e de como avaliar o texto por forma a estabelecer se ele é correcto, bom, fraco ou falso.
A Suna deve ser distinguida da fiqh, que são as opiniões de juristas religiosos, e o Alcorão, que é uma revelação em si e não um registro.
Hadith
A Hadith (pl. Ahadith) é um corpo de leis, lendas e histórias sobre a vida de Muhammad, (estas histórias chamam-se em Árabe Sunnah e incluem a sua biografia ou sira) e os próprios dizeres nos quais ele justificou as suas escolhas ou ofereceu conselhos; muitas partes da Hadith lidam com os seus companheiros (Sahaba).
Para a maioria dos muçulmanos, a hadith contém uma exposição com autoridade dos significados do Alcorão. A lei islâmica é deduzida dos actos, afirmações, opiniões e modos de vida de Muhammad. Muçulmanos tradicionais acreditam que os académicos islâmicos dos passados 1400 anos foram bem sucedidos na maior parte em determinar a exactidão de boa parte da hadith com que lidaram.
A literatura, como um todo, foi passada de geração em geração oralmente até meados do século VIII (menos de 100 anos após a morte de Muhammad e seus companheiros), ponto a partir do qual foram escritas colecções da Hadith. Mais tarde, elas foram editadas. Este processo chamou-se de isnad, e tomou duas formas:
* musnad - classificação de acordo com os nomes dos tradicionalistas
* musannaf - classificação de acordo com o tema; editada de acordo com o conteúdo.
Os diferentes ramos do Islão (Sunitas e Xiitas) aceitam diferentes colecções da hadith como genuínas.
Tal como o Talmude está para a Torá no Judaísmo, a Hadith está para as leis do Alcorão no Islão. A Hadith é a interpretação autoritativa do Alcorão, mesmo quando a prática corrente está em conflito com o significado do texto. A lei islâmica tem alguma flexibilidade, já que algumas tradições do profeta foram anuladas por outros dizeres posteriores dele.
Fiqh
A Fiqh é a jurisprudência islâmica e é constituida pelas decisões dos académicos islâmicos que dirigem as vidas dos muçulmanos. Há quatro escolas sunitas ou maddhab da fiqh.
As quatros escolas do Islão Sunita são nomeadas a partir de um jurista clássico (que não sabia que as suas decisões iriam ser imitadas - o conceito de taqlid, "imitação cega", surgiu mais tarde).
As escolas Sunitas são a Shafi'i (Malásia), Hanafi (subcontinente indiano, África ocidental, Egipto), Maliki (África ocidental e do norte), e Hanbali (Arábia).
Estas quatro escolas partilham a maioria das suas decisões, mas diferem nas hadiths particulares que aceitam como autêntica de Maomé e o peso que dão à analogia ou razão (qiyas) em decidir perante dificuldades.
As quatro escolas Sunitas guardam sua raiz e origem na única escola Xiita Jaferi estabelecida pelo Imam Jaafar Ibn Mohammad em meados do século VI.
Charia ( também grafado Sharia, Shari'a, Shariah ou Syariah), a lei islâmica.
No Islão, ao contrário da situação na cultura ocidental, não há uma separação entre a religião e o direito. Todas as leis são religiosas e baseadas ou nas escrituras sagradas ou nas opiniões de líderes religiosos.
O Corão é a mais importante fonte da jurisprudência islâmica (fiqh), sendo a segunda a Sunnah (Vida e caminhos do profeta). Não é possivel praticar o Islão sem consultar ambos os textos. A partir da Suna, relacionada mas não a mesma, vem a Ahadith (narrações do profeta). Uma hadith é uma narração acerca da vida do profeta ou o que ele aprovava - ao passo que a Sunnah é a sua própria vida em si. Como se disse, as suas principais fontes são o Corão e a Hadith, mas o ijma, o consenso da comunidade, também foi aceite como uma fonte menor. Qiyas, o raciocínio por analogia, foi usado pelos estudiosos da lei/religião islâmica (Mujtahidun) para lidar com situações onde as fontes sagradas não providenciam regras concretas. As praticas chamadas Charia têm também algumas raizes nos costumes locais (Al-urf).
A jurisprudência islâmica chama-se fiqh e está dividida em duas partes: o estudo das fontes e metodologia (usul al-fiqh - raízes da lei) e as regras práticas (furu' al-fiqh - ramos da lei).
Charia
Halal é uma palavra árabe que significa permitido, autorizado. No islão refere-se aos comportamentos, formas de vestir e de falar, alimentos que são permitidos pela religião, sendo o seu antónimo haram.
O termo é habitualmente usado nos países não islâmicos para se referir aos alimentos autorizados de acordo com a lei islâmica.
Halal
Leis de alimentação
Ao comer carne, os muçulmanos podem apenas comer carne que foi abatida em nome de Deus, e que corresponde a requerimentos dietéticos estritos. Tal carne é chamada pura, ou halal. A lei islâmica proíbe aos muçulmanos comer carne de porco, macaco, cão, gato, quaisquer carnívoros e outros tipos de animais, uma vez que são haram (proibidos). Para a carne de um animal ser halal (legal) ela tem de ser de um dos animais halal, tem de ser abatida por um muçulmano, e o animal não pode ser morto por meios cruéis ou prolongados. O animal é morto pelo corte da veia jugular, pois acredita-se que isso o torna imediatamente inconsciente. Este método se mantém até hoje mesmo existindo outros que garantem menor sofrimento ao animal. Alguns teólogos muçulmanos determinaram que o animal não tem de ser morto por um muçulmano, mas pode ser abatido por um judeu desde que respeite as regras alimentícias. Desta forma, alguns muçulmanos aceitam a carne kosher (preparada de acordo com a lei judaica) como halal.
As fontes para determinar se uma comida ou bebida são autorizadas no islão são o Alcorão, as tradições do profeta (hadith) e a fórmulações do juristas. No Alcorão pelo menos vinte e quatro versículos referem-se a prescrições no domínio alimentar.
Algumas das interdições alimentares do islão coincidem com as da lei judaica, enunciadas em Génesis, IX, 4.
As carnes proibidas pelo islão são as do porco, do javali, do lobo, do abutre e das aves rapaces, do cão, da serpente, do macaco. O consumo de animais com garras, como leões e ursos, é proibido, bem como de animais considerados repulsivos (baratas, moscas, ...). O sangue dos animais não deve ser consumido.
Em contrapartida, todos os peixes são autorizados.
Alimentos interditos
No que diz respeito às bebidas, estão proibidas as que contenham álcool, como o vinho e a cerveja, pois considera-se que alteram a consciência do ser humano.
Bebidas
O animal deve ser morto de um só golpe e na direcção da cidade sagrada de Meca. A pessoa que realiza o abate deve ser muçulmana.
A caça está autorizada no islão, porém deve-se declarar a BISMILLAH ao atingir o animal. Os animais sacrificados a outros deuses (falsidade) não devem ser consumidos.
Forma de abate
Uma fatwa (plural fataawa) é um pronunciamento legal no Islão emitido por um especialista em lei religiosa, sobre um assunto específico. Normalmente, uma fatwa é emitida a pedido de um indivíduo ou juiz de modo a esclarecer uma questão onde a fiqh, a jurisprudência islâmica, é pouco clara. Um académico que seja capaz de emitir fataawa é conhecido por Mufti.
Porque no Islão não há uma estructura central, também não há unanimidade quanto ao método de determinar quem pode emitir uma fatwa e quem não pode. Isto leva alguns académicos a queixarem-se de que demasiadas pessoas se sintam qualificadas para emitir "fatwas".
Fatwa
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