ISLÃO 786 ALCORÃO - QUR'AN
Muhammad (saw)  transmitiu estas revelações aos seus companheiros, muitos dos quais se diz terem memorizado e escrito no material que tinham à disposição (omoplatas de camelo, folhas de palmeira, pedras...).

As revelações a Muhammad (saw) foram mais tarde reunidas em forma de livro. Considera-se que a estruturação do Alcorão como livro ocorreu entre 650 e 656 durante o califado de Otman.

Uma vez que nós muçulmanos acreditamos que Muhammad (saw) foi o último de uma longa linha de profetas, nós recebemos a sua mensagem como um depósito sagrado, e tomamos muito cuidado assegurando que a mensagem tenha sido recolhida e transmitida de uma maneira a não trair esse legado. Esta é a principal razão pela qual as traduções do Alcorão para as línguas vernáculas são desencorajadas, preferindo-se ler e recitar o Alcorão em árabe. Muitos muçulmanos memorizam uma porção do Alcorão na sua língua original; aqueles que memorizaram o Alcorão por inteiro são conhecidos como hafiz (literalmente "guardião").

A mensagem principal do Alcorão é a da existência de um único Deus, ALLAH, que deve ser adorado. Contém também exortações éticas e morais, histórias relacionadas com os profetas anteriores a Muhammad (saw) (que foram rejeitados pelos povos aos quais foram enviados), avisos sobre a chegada do Dia do Juízo Final, bem como regras relacionadas com aspectos da vida diária como o casamento e o divórcio.

Além do Alcorão, as crenças e práticas do islão baseiam-se na literatura Hadith, que para nós muçulmanos clarifica e explica os ensinamentos do profeta.
A primeira sura do Alcorão,
intitulada Al-Fatiha ("A Abertura")
1 - Bismi Allahi alrrahmani alrraheemi
1 -Em nome de Deus, o Clemente, o Misericordioso
2 - Alhamdu lillahi rabbi alAAalameena
2 - Louvado seja Deus, Senhor do Universo
3 - Alrrahmani alrraheemi
3 - Clemente, o Misericordioso,
4 - Maliki yawmi alddeeni
4 - Soberano do Dia do Juízo.
5 - Iyyaka naAAbudu wa-iyyaka nastaAAeenu
5 - Só a Ti adoramos e só de Ti imploramos ajuda!
6 - Ihdina alssirata almustaqeema
6 - Guia-nos à senda reta,
7 - Sirata allatheena anAAamta AAalayhim ghayri
almaghdoobi AAalayhim wala alddalleena

7 - À senda dos que agraciaste,  não à dos abominados, nem à dos extraviados.
O Alcorão ou Qur'an (em árabe ) é o livro sagrado do Islão. Os muçulmanos acreditam que o Alcorão é a palavra literal de Allah revelada ao profeta Muhammad (saw) ao longo de um período de 22 anos. A palavra Alcorão deriva do verbo árabe que significa ler ou recitar; Alcorão é portanto uma "recitação" ou algo que deve ser recitado.

Os muçulmanos podem se referir ao Alcorão usando um título que denota respeito, como al-Karim (o Nobre) ou al-Azim (o Magnífico).

É um dos livros mais lidos e publicados no mundo, sendo que, não é vendido pelos muçulmanos e, sim, dado.
Estrutura do Alcorão
O Alcorão está organizado em 114 capítulos, denominados suras, divididas em livros, seções, partes e versículos. Considera-se que 92 capítulos foram revelados ao profeta Muhammad (saw) em Meca, e 22 em Medina. Os capítulos estão dispostos aproximadamente de acordo com o seu tamanho e não de acordo com a ordem cronológica da revelação.

Cada sura pode por sua vez ser subdividida em versículos (ayat). O número de versículos é de 6536 ou 6600, conforme a forma de os contar.

A sura maior é a segunda, com 286 versículos; as suras menores possuem apenas três versículos.

Os capítulos são tradicionalmente identificados mais pelos nomes do que pelos números. Estes receberam nomes de palavras distintivas ou de palavras que surgem no inicío do texto, como por exemplo A Vaca, A Abelha, O Figo ou A Aurora. Contudo, não se deve pensar que o conteúdo da sura esteja de alguma forma relacionado com o título do capítulo.
Divisão para leitura e recitação

Tendo como objectivo a recitação o Alcorão, pode também ser dividido em partes de igual tamanho (7, 30 ou 60), que tem como objectivo a leitura conforme as possibilidades de cada pessoa (leitura em 7, 30 ou 60 dias). A divisão do Alcorão em 60 dias é a mais habitual, sendo utilizada no ensino. Cada divisão em sete partes recebe o nome de manzil e em trinta o nome de juz. As fracções são também divididas em meios, quartos e oitavos.
A compilação do Alcorão
O Alcorão não foi estruturado como um livro durante a vida de Muhammad (saw) .À medida que o profeta Muhammad (saw) recebia as revelações, ele solicitava ao jovens letrados que integravam a sua comitiva para que transcrevessem os textos. O chefe desta equipe de secretários, que surgiu de forma institucionalizada após a Hégira, em Meca, foi Zayd ibn Thabit.

O texto foi preservado em materiais dispersos tão variados como folhas de tamareira, pedaços de pergaminho, omoplatas de camelos, pedras e também na memória dos primeiros seguidores. Durante as noites do Ramadão, Muhammad (saw) recapitulava as revelações, numa conferência onde estava presentes os logógrafos (escritores profissionais) e os hafiz, ou seja, pessoas que conheciam passagens de memória (que escutaram nas prédicas do profeta).

Após a morte de Muhammad (saw) em 632 iniciou-se o processo de recolhimento dos vários extratos.

Para alguns, o Alcorão terá sido composto na sua forma actual sob a direcção do califa Abu Bakr (ra) nos dois anos que se seguiram à morte de Muhammad (saw) ; outros defendem que foi o califa Omar o primeiro a compilar o Alcorão. Considera-se que a verdade está a meio termo: Abu Bakr foi aconselhado por Omar a compilar um primeiro manuscrito, auxiliado na tarefa por logógrafos e por dois hafiz.

Entre 650 e 656, durante o califado de Otman, o Alcorão se estruturou de uma forma mais oficial. Otman nomeou uma comissão para decidir o que deveria ser incluído ou excluído do texto final do Alcorão. Foi então constituído um "livro-referência" a partir do qual se criaram seis cópias que foram enviadas para Meca, Iémen, Bahrein, Bassora e Kufra.
Conteúdo temático do Alcorão
O Alcorão descreve as origens do Universo, o Homem e as suas relações entre si e o Criador. Define leis para a sociedade, moralidade, economia e muitos outros assuntos. Foi escrito com o intuito de ser recitado e memorizado. Nós, muçulmanos consideramos o Alcorão sagrado e inviolável.

Para nós, muçulmanos, o Alcorão é a palavra de ALLAH, sagrada e imutável, que fornece as respostas acerca das necessidades humanas diárias, tanto espirituais como materiais. Ele discute Deus e os seus nomes e atributos, crentes e suas virtudes, e o destino dos não-crentes (kuffar); até mesmo temas de ciência. Os muçulmanos não seguem apenas as leis do Alcorão, eles também seguem os exemplos do profeta, o que é conhecido como a Sunnah, e a interpretação do AlCorão contida nos ensinamentos do profeta, conhecida como hadith.

Aos muçulmanos é ensinado que Deus lhes enviou outros livros. Para além do Alcorão, os outros são o livro de Ibrahim (que se perdeu), a lei de Moisés (a Torá), os Salmos de David (o Zabûr) e o evangelho de Jesus (o Injil). O Alcorão descreve cristãos e Judeus como "o povo do livro" (ahl al Kitâb).

Os ensinamentos do Islão englobam muitas das mesmas personagens do judaísmo e do cristianismo. Personagens bíblicas bem conhecidas como Adão, Noé, Abraão, Moisés, Jesus, Maria (a mãe de Jesus) e João Baptista são mencionados no Alcorão como profetas do Islão. No entanto, os muçulmanos frequentemente se referem a eles por nomes em língua árabe, o que pode criar a ilusão de que se trata de pessoas diferentes (exemplos: Allah para Deus, Iblis para Diabo, Ibrahim para Abraão, etc).

A crença no dia do julgamento  e na vida após a morte (Akhirah) também fazem parte da teologia islâmica.
O Alcorão na vida dos muçulmanos

Quando uma criança nasce no seio de uma família muçulmana, os seus pais são saudados com a fórmula "Que esta criança possa estar entre os anunciadores do Alcorão".

As crianças muçulmanas aprendem desde cedo a começar determinados atos da sua vida, como as refeições, com a fórmula "Em nome de ALLAH" (Bismillah) e a concluí-los com a expressão "Louvado seja ALLAH" (Al-Hamdu Lillah). Estas frases são as mesmas que se encontram nos dois primeiros versículos da primeira sura.

Algumas partes do Alcorão são recitadas durante momentos especiais da vida como o casamento ou no leito de morte. Em muitos países muçulmanos certos aspectos da vida pública começam com a recitação de passagens deste livro considerado sagrado.

Os muçulmanos não tocam no livro sagrado senão após a ablução, conhecida como wudhu.

Normalmente, os muçulmanos guardam o Alcorão numa prateleira alta do quarto, em sinal de respeito pelo Alcorão e alguns transportam pequenas versões consigo para seu conforto ou segurança. Apenas a versão original em árabe é considerada como o Alcorão; as traduções são vistas como sombras fracas do significado original.

Uma vez que os muçulmanos tratam o livro com reverência, consequentemente é proibido reciclar, reimprimir ou deitar cópias velhas do Alcorão para o lixo. Como solução alternativa, os volumes do Alcorão devem ser enterrados ou queimados de uma maneira respeituosa.
Os ensinamentos de Allah (Subhanna Wa Ta'la) (a palavra árabe para Deus) estão contidos no Alcorão (Qur'an, "recitação"). Nós muçulmanos acreditamos que Muhammad (saw) recebeu estes ensinamentos de Allah por intermédio do anjo Gabriel (Jibreel) através de revelações que ocorreram entre 610 e 632.
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