Email : nawazali7@gmail.com / Copyright © Nawaz Ali ISLÃO 786 Profeta Muhammad (SAW)
O nome completo de Muhammad é Abu al-Qasim Muhammad ibn 'Abd Allah ibn 'Abd al-Muttalib ibn Hashim, sendo que Muhammad (saw) significa em árabe «aquele que é merecedor de elogios». Este nome já era comum na Arábia antes do surgimento do islão, não sendo por isso necessário ver nele um epíteto criado pelo próprio.

As principais fontes para o estudo da vida de Muhammad (saw)  são o AlCorão, as biografias surgidas nos primeiros séculos do islão (nos séculos VIII e IX, conhecidas como siras) e os ahadith.

Embora o AlCorão não seja uma biografia de Muhammad (saw) , ele proporciona informações sobre a sua vida. Entre as suras, destaca-se a sura de Ibn Ishaq. Os ahadith (singular:hadith), são os relatos daquilo que o profeta disse, fez ou aprovava, e foram transmitidos através de uma cadeia oral.

Vida

Muhammad (saw) nasceu em Meca a 12 de Rabi al-Awwal (terceiro mês do calendário árabe) no "ano do Elefante". Este ano recebeu esta denominação porque nele se verificou o ataque de pelas tropas de Abraha (governador do sul da Arábia ao serviço do imperador da Etiópia) que estavam equipadas com elefantes. Na era cristã este ano corresponde a 570.

Muhammad (saw) pertencia ao clã dos Haxemitas, por sua vez integrado na tribo dos Coraixitas (Quraysh, "tubarão"). Era filho de Abdullah e de Amina. O pai de Muhammad  (saw) faleceu pouco tempo antes do seu nascimento, deixando à esposa como herança cinco camelos e uma escrava.

Entre as famílias de Meca existia na época a tradição de entregar temporariamente as crianças às famílias beduínas que viviam no deserto, uma vez que se considerava que o clima de Meca era pouco saudável; para além disso, acreditava-se que uma temporada de vida no deserto preparia melhor a criança para a vida adulta. Em troca desta adopção temporária, os beduínos recebiam presentes dos habitantes de Meca. Apesar das limitações económicas, Amina entregou Muhammad (saw) aos cuidados de uma ama-de-leite chamada Halíma (Haleemah).

Quando Muhammad (saw) tinha seis anos de idade a sua mãe faleceu. Muhammad (saw) passou a viver então com o seu avô paterno, Abu al-Muttalib, e com os filhos destes, entre os quais se encontravam Abbas e Hamza e que eram praticamente da mesma idade que Muhammad (saw) , fruto de um casamento tardio do avô. Abu al-Muttalib ocupava em Meca o importante cargo de siqáya (serviço de distribuição pelos peregrinos da água sagrada do poço de Zamzam).

Dois anos depois, o avô de Muhammad (saw) faleceu e este foi viver com o seu tio Abu Talib, novo chefe do clã Hachemita.

Meca era nesta altura uma cidade-estado no deserto, onde se encontrava um santuário conhecido por Kaaba ("o Cubo") administrado pelos Coraixitas. A Kaaba era venerada por todos os Árabes, sendo alvo de uma peregrinação anual. Nela se encontra a Pedra Negra e uma série de ídolos, representações de deusas e de deuses, dos quais se destacava o deus nabateu Hubal. Alguns habitantes de Meca distanciavam-se quer dos cultos pagãos, quer do monoteísmo dos judeus e dos cristãos, declarando-se hunafá, isto é, crentes no Deus único de Abraão, que acreditavam ter sido o fundador da Kaaba. Apesar de a cidade não possuir recursos naturais, ela funcionava como um centro comercial e religioso, visitado por muitos comerciantes e peregrinos.

Durante a adolescência Muhammad (saw) foi pastor e teria também acompanhado o seu tio em expedições comerciais à Síria. Segundo os relatos muçulmanos, quando Muhammad (saw), o seu tio e outros acompanhantes regressavam de uma destas viagens cruzaram-se perto de Bosra com um eremita cristão chamado Bahira que após ter examinado Muhammad (saw) concluiu que este era o enviado que todos aguardavam. Bahira recomendou a Abu Talib que levasse o seu sobrinho para Meca e que velasse pelo bem-estar deste.

Por volta de 595 Muhammad (saw) conheceu Khadija, uma viúva rica de 40 anos de idade. O jovem Muhammad (saw) (na altura com 25 anos de idade) impressionou Khadija pela sua honestidade nos negócios de tal forma que ela propôs o casamento. Este casamento representou uma mudança social para Muhammad (saw), já que segundo os costumes árabes da época os menores não herdavam, razão pela qual Muhammad (saw) nada tinha recebido da herança do pai e do avô. Muhammad (saw) permaneceu com Khadija até à morte desta em 619. Khadija teve seis filhos de Muhammad (saw) , quatro mulheres (Zainab, Ruqayyah, Umm Kulthum e Fátima e dois homens (Al-Qasim e Abdullah, que faleceram durante a infância).

Habitualmente afirma-se que Muhammad (saw) teria sido analfabeto; contudo, é provável que tenha possuído conhecimentos rudimentares de escrita, necessários a alguém que desempenhou funções na área do comércio.

O seu tio Zubair fundou a ordem de cavalaria conhecida como a Hilf al-fudul, que assistia os oprimidos, habitantes locais e visitantes estrangeiros. Muhammad (saw) foi um membro entusiasta. Muhammad (saw) ajudou na resolução de disputas, e tornou-se conhecido como Al-Ameen ("o confiável") devido à sua reputação sem mácula nestas intermediações. Como exemplo, quando a Kaaba sofreu danos após uma inundação, e todos líderes de Meca queriam receber a honra de resolver o problema, Muhammad foi nomeado para solucionar a situação. Muhammad propôs que estendessem um lençol branco no chão, que colocassem a Pedra Negra (também conhecida como Hajar el Aswad) no meio e pediu aos líderes tribais que a transportassem ao seu devido local, segurando os cantos do lençol. Chegados ao devido local, o próprio Muhammad (saw) tratou de a colocar na posição devida.

Vida familiar

Durante a sua vida e depois da morte de Khadija, Muhammad (saw) viria a casar com outras quinze mulheres, na sua maioria viúvas, excepto Aisha. Estas mulheres eram viúvas de companheiros de Muhammad (saw), tinham uma idade avançada e o casamento com o profeta surgia como uma forma de garantir protecção e estabilidade económica. Em outros casos os casamentos serviram para cimentar alianças políticas.

Uma das esposas mais importantes de Muhammad (saw) foi Aisha
, a sua segunda esposa, que tinha seis anos de idade na altura do seu noivado e segundo registos, quatorze anos na altura de seu casamento com o profeta

Morte e legado

Mesquita do Profeta em Medina, onde se encontra o túmulo de Muhammad (saw)

Um ano antes da sua morte, Muhammad (saw) dirigiu-se pela última vez aos seus seguidores naquilo que ficou conhecido como o sermão final do profeta.
A sua morte em Junho de 632 em Medina, com a idade de 63 anos, deu origem a uma grande crise entre os seus seguidores. Na verdade, esta disputa acabaria por originar a divisão do Islão nos ramos dos Sunitas e Xiitas. Os Xiitas acreditam que o profeta designou Ali ibn Abu Talib como seu sucessor, num sermão público na sua última Hajj, num lugar chamado Ghadir Khom, enquanto que os sunitas discordam.
Revelação
Muhammad (saw) tinha por hábito passar noites nas cavernas das montanhas próximas de Meca, praticando o jejum e a meditação. Sentia-se desiludido com a atmosfera materialista que dominava a sua cidade e insatisfeito com a forma como órfãos, pobres e viúvas eram excluídos da sociedade. A tradição muçulmana informa que no ano de 610, enquanto meditava numa caverna do Monte Hira, Muhammad (saw) recebeu a visita do arcanjo Gabriel (Jibreel) que o declarou como profeta de Deus. Desde este momento e até à sua morte, Muhammad (saw) recebeu outras revelações.
Ao receber estas mensagens, Muhammad (saw) teria transpirado e entrado em estado de transe. A visão do arcanjo Gabriel teria perturbado Muhammad (saw) , mas a sua mulher Khadija o reconfortou, assegurando que não se trataria de uma possessão de um génio. Para tentar compreender o sucedido o casal consultou Waraqa, um primo de Khadija que se acredita ter sido cristão. Com a ajuda deste Muhammad (saw) interpretou as mensagens como sendo uma experiência idêntica à vivida pelos profetas do judaísmo e cristianismo.

As primeiras pessoas a acreditar na missão profética de Muhammad (saw) foram Khadija e outros familiares e amigos que se reuniam na casa de um homem chamado al-Arqam. Por volta de 613, encorajado pelo seu círculo restrito de seguidores, Muhammad  (saw)  começou a pregar em público. Ao proclamar a sua mensagem na cidade, Muhammad   (saw) ganhou seguidores, incluindo os filhos e irmãos do homem mais rico de Meca. A religião que ele pregou tornou-se conhecida como o islão ("submissão à vontade de ALLAH").

À medida que os seus seguidores cresciam, ele se tornava uma ameaça para as tribos locais, especialmente aos Coraixitas, a sua própria tribo, que tinha a responsabilidade pelo cuidado da Kaaba, que nesta altura hospedava centenas de ídolos que os Árabes adoravam como deuses.
Rejeição
Apesar da mensagem monoteísta de Muhammad (saw) ter sido aceita por alguns habitantes de Meca, muitos rejeitaram-na. Os conceitos religiosos apresentados por Muhammad (saw) , e em particular a ideia de um Julgamento Final, geravam incredulidade e zombaria junto dos mequenses. Pediam-lhe que fizesse um milagre capaz de comprovar as suas alegações ou então acusavam-no de estar possuído por um djiin (um espírito maligno). Para além disso, ele tornou-se muito impopular com os governantes, e seus seguidores foram alvos de ataques físicos repetidos, bem como de ataques às suas propriedades. De acordo com os relatos, alguns dos habitantes de Meca lançaram ataques vigorosos e brutais contra esta nova religião: forçaram pessoas a deitar-se sobre areia ardente, colocaram enormes pedras sobre seus peitos, derramaram ferro derretido sobre eles. Muitos teriam morrido, mas a fé prevaleceu. Esta perseguição não atingiu inicialmente o próprio Muhammad, pelo simples motivo de que a sua família detinha muita influência. No entanto, estas circunstâncias tornaram-se intoleráveis e Muhammad aconselhou alguns dos seus seguidores a irem para a Abissínia por volta do ano 615.

Os mequenses obrigaram Muhammad (saw) a deixar a sua missão religiosa oferecendo-lhe poder político. À medida que os seguidores de Muhammad (saw) aumentaram, os seus oponentes tentaram demovê-lo a deixar ou alterar a sua religião. Ofereceram-lhe uma boa parte do comércio e o casamento com mulheres de algumas das famílias mais ricas, mas ele rejeitou todas estas ofertas. Os habitantes de Meca acabaram por exigir que Abu Talib entregasse o seu sobrinho Muhammad (saw) para execução. Uma vez que ele recusou, a oposição exerceu pressão comercial contra a tribo de Muhammad (saw) e seus apoiantes. Houve também uma tentativa de assassinato. Após a morte do seu tio e de Cadija no ano de 619 (ano a que a tradição muçulmana se refere como o "Ano da Tristeza"), o próprio clã de Muhammad (saw) retirou-lhe a proteção. Muhammad (saw) mudou-se então para a cidade de at-Ta'if, onde não encontrou apoio por parte dos seus habitantes. Por esta razão ele regressou à Meca. Então sofreu abusos, foi apedrejado e atirado contra espinhos e lixo. Os seus inimigos preparavam-se para tentar novamente assassiná-lo.
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