
O Ramadão ou Ramadã (grafado ainda Ramadan) é o nono mês do calendário islâmico. É o mês durante o qual os muçulmanos praticam o seu jejum ritual (saum), o quarto dos cinco pilares do Islão (arkan al-Islam).
A palavra Ramadão encontra-se relacionada com a palavra árabe ramida, “ser ardente”, possivelmente pelo facto do Islão ter celebrado este jejum pela primeira vez no período mais quente do ano. Uma vez que o calendário islâmico é lunar, o Ramadão não é celebrado todos os anos na mesma data, podendo passar por todas as estações do ano.
É mês sagrado, período de renovação da fé, da prática mais intensa da caridade, e vivência profunda da fraternidade e dos valores da vida familiar. Neste período pede-se ao crente maior proximidade dos valores sagrados, leitura mais assídua do Alcorão, freqüência à mesquita, correção pessoal e autodomínio.
O jejum é observado durante todo o mês, do alvorecer ao pôr-do-sol. O jejum aplica-se também ao fumo e às relações sexuais. O crente deve não só abster-se destas coisas, mas também não pensar nelas.
Durante o Ramadão, é comum a freqüência mais assídua à mesquita. Além das cinco orações diárias (salat), durante este mês sagrado recita-se uma oração especial chamada Taraweeh (oração noturna).
É o único mês mencionado pelo nome no Alcorão:
"O mês do Ramadão foi o mês em que foi revelado o Alcorão, orientação para a humanidade e evidência de orientação e discernimento." (Alcorão Sagrado 2:185)
JEJUM
Obrigatoriedade
O jejum é obrigatório a todos os muçulmanos que chegam à puberdade. A primeira vez em que um jovem é autorizado a jejuar pelos pais constitui um momento importante na sua vida e uma marca simbólica de entrada na vida adulta.
Há várias justificativas válidas para não jejuar: gravidez, menstruação, enfermidade, trabalho braçal extenuante e estar em viagem. Os dias de jejum não praticado devem ser cumpridos em outra ocasião, antes do próximo Ramadão.
Refeições
Su-Hoor
Antes da alvorada, há uma pequena refeição (su-hoor) que substitui o café da manhã (pequeno-almoço) habitual.
Iftar
Iftar, é o nome dado à comida ingerida durante a noite com a qual se quebra o jejum diário durante o mês islâmico do Ramadão. O Iftar durante o Ramadão faz-se de maneira comunitária, com grupos de muçulmanos que se reúnem para quebrar o jejum. O Iftar tem lugar logo depois do Maghrib (pôr-do-sol). Tradicionalmente, uma tâmara costuma ser o primeiro alimento que se consome no Iftar.
Ao término de cada dia, o jejum é finalizado com uma oração e uma refeição especial tomada em comum, chamada iftar. O iftar é o momento para reunir os membros da família e os seus amigos numa celebração de fé e de alegria. Após esta refeição, é prática social sair com a família para visitar amigos e familiares.
Atualmente, com a ampliação do diálogo interreligioso, algumas pessoas de outras religiões são convidadas a partilhar este momento de convívio e é cada vez mais freqüente que cristãos ofereçam e celebrem um iftar para os seus amigos muçulmanos.
Tarawih
Feriados
Dois dos mais importantes feriados religiosos são celebrados neste mês sagrado: Laylat al Kadr e ‘Id al Fitr.
Laylat al Kadr
Laylat al Kadr ("noite do destino"; "noite do poder"; "noite da determinação"; "noite do decreto divino") é celebrado na noite do dia 26 para o 27 do Ramadão, data em que se comemora a noite em que Profeta Muhammad recebeu a primeira revelação do Alcorão. Muitos muçulmanos passam esta noite a rezar, acreditando que os pedidos feitos durante estas horas serão atendidos por Deus.
‘Id al Fitr
Eid ul-Fitr é uma festa muçulmana que marca o fim do jejum do Ramadão. Eid ul-Fitr significa literalmente "Festa do fim do jejum". Celebra-se no primeiro dia do mês de Shawwal, o décimo mês do calendário islâmico. Em algumas sociedades muçulmanas esta festa é também conhecida como a "Doce Festa" ou a "Pequena Festa". O primeiro Eid ul-Fitr foi celebrado em 624 pelo profeta Muhammad (saw) e os seus familiares e amigos em regozijo pela vitória na Batalha de Badr.
‘Id al Fitr - Eid ul-Fitr - ("o banquete do término do jejum"), no encerramento do mês do Ramadão, no primeiro dia do mês de Shawwal, é um feriado celebrado durante três dias. Banquetes são servidos, presentes são trocados, roupas novas são vestidas. Amigos e familiares rezam em congregação e fazem banquetes. Em muitas cidades islâmicas grandes festividades são realizadas para celebrar o ‘Id al Fitr. Os turcos chamam esta festa de Sheker Bairam (festa do açúcar). Está prescrito nesta festa a prática da Zakat al fitr, doação de esmolas da quebra do jejum.
Em sua aparência exterior esta celebração islâmica assemelha-se ao Natal cristão.
Forma de celebração
Durante o mês do Ramadão os muçulmanos devem abster-se de fumar, comer, ter relações sexuais ou praticar actos violentos desde antes do nascer do dia até ao anoitecer. O festival do Eid ul-Fitr celebra o fim deste jejum, bem como a força que os muçulmanos acreditam ter recebido de Allah para poderem executá-lo. À semelhança de outras festas muçulmanas inicia-se como o avistamento da lua nova.
Este festival é assinalado com uma oração comunal a meio da manhã, geralmente realizada em praças ou recintos de feiras, uma vez que as mesquitas não possuem espaço para tantas pessoas.
Antes da oração se iniciar a congregação recita o Takbir, uma prece que glorifica a grandeza de Deus. Depois da oração segue-se um sermão (khutba) e uma oração especial que pede perdão e ajuda a todos os muçulmanos do mundo.
É tradição a realização de um grande almoço (o primeiro almoço que os muçulmanos tomam após o jejum diurno de um mês), geralmente na casa de um parente mais velho. As crianças recebem prendas, que podem ser novas roupas ou dinheiro.
Eid ul-Adha
Eid ul-Adha ("Festa do Sacrifício") é um festival muçulmano que marca o fim do Hajj ou peregrinação a Meca. Acontece no décimo dia do último mês do calendário islâmico (Dhu al-Hijjah). É celebrado pelos muçulmanos de todo o planeta em memória da disposição do profeta Ibrahim (Abrãao) em sacrificar o seu filho Ismail conforme a vontade de ALLAH.
História
Os muçulmanos acreditam que Ibrahim conversou com ALLAH em um sonho, e ALLAH disse para Ibrahim sacrificar aquilo que lhe era mais preciso e amado, e para o homem era seu filho, Ismail. Ibrahim então relatou ao seu filho a vontade de ALLAH, e este concordou com o sacrifício. Ambos partiram para Mina, cidade perto de Meca, onde Ismail morreria. Pelo caminho, Ibrahim foi tentado pelo demónio, que disse para desobedecer a ALLAH. Mas Ibrahim ignorou a tentação, colocou uma venda em seus olhos para não ver o que mais lhe fazia sofrer, e cortou a garganta de seu filho. Quando Ibrahim retirou a venda, reparou que Deus colocou ao lado do seu filho um carneiro, que foi morto em vez de Ismail.
Forma de celebração
O festival desenrola-se durante quatro dias. No primeiro dia, homens, mulheres e crianças vestem as melhores roupas que possuem e realizam a oração (salat) numa grande congregação. Todos os muçulmanos que possuem meios económicos devem sacrificar carneiros como forma de lembrar o acontecimento. Em alguns casos em vez de carneiros sacrificam-se bodes, bois e camelos. É condição obrigatória que o animal seja macho, adulto e saudável.
A carne que resulta destes sacrifícios é distribuída por familiares, vizinhos e pobres.
Os muçulmanos que vivem em países ocidentais ficam impossibilitados de realizar este festival, uma vez que a legislação da maior parte destes países estabelece que os animais devem ser abatidos em matadouros. Estes muçulmanos optam por fazer donativos a organizações que executam o sacrifício em seu nome e distribuem a carne entre os pobres de um país escolhido pelo doador.
Este festival serve também para visitar amigos e familiares, com os quais se trocam presentes.
Mawlid
Mawlid, Mawlid an-Nabi ou Milad al-Nabi é no islão a celebração do nascimento do profeta Muhammad (saw). Os muçulmanos sunitas celebram este dia no 12 de Rabi'-ul-Awwal, o terceiro mês do calendário islâmico, enquanto que os muçulmanos xiitas celebram-no a 17 do mesmo mês, coincidindo com a data do nascimento do sexto imam, Ja'far al-Sadiq.
Este dia é celebrado com canções e orações, constituindo uma oportunidade para se recordarem os ensinamentos do profeta. Em alguns países são feitos desfiles e é hábito queimar fogos de artifício.
Para os sunitas a celebração de 1207 foi a primeira. Nessa data, em Irbil (perto de Mossul naquilo que é hoje o Iraque), o cunhado de Saladino, Muzaffar ad-Din Gokburi, organizou grandes celebrações da ocasião, com a presença de vários músicos e saltimbancos.
Alguns teólogos opuseram-se ao longo dos tempos a esta prática considerando-a como alheia à religião muçulmana (bid'ahs, "inovações que conduzem ao pecado"). É provável que ela seja o resultado de influências cristãs, em concreto a celebração do Natal como data do nascimento de Jesus Cristo. O wahabismo, uma corrente do islão surgida no século XVIII e que é hoje oficial na Arábia Saudita, é contra esta celebração.
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